• Nael Rosa

Rubilar e Ana falam sobre a perda do filho Arthur


Dois dias depois de viver a tristeza de perder o primeiro filho, Ana Paula Dávila, 30 anos, já em casa, acionou nossa reportagem e ao entrarmos na residência da família ela ouviu: Os pontos da cesariana estão doendo? Os olhos se encheram de lágrimas e veio a seguinte resposta: “Sim, mas está doendo mais o coração”.


Neste clima de muita comoção realizamos a entrevista e junto com o choro que ia e vinha, ela e o marido Rubilar Dias, 38 anos, contabilizavam os valores escritos nos envelopes de depósito onde estava o dinheiro arrecadado pelo Programa Bom Dia Nativa que nem chegara a ir para a conta bancária dado ao parto prematuro aos seis meses e a consequente morte do bebê no primeiro dia do ano.


Entregaram o montante ao comunicador da Nativa FM e deram a ele a missão de decidir o destino do quantia: 10 mil reais.


Ao falar do filho, entre lágrimas, Ana que segue a doutrina espirita disse entender que Arthur veio por algum motivo, e se foi para ajudar outras vidas ele é um anjo abençoado que neste momento está junto do pai e do irmão, outras duas perdas prematuras que ela sofreu.

- Meu filho me ensinou um amor que nunca senti, e mesmo que futuramente eu venha a ser mãe ele jamais será esquecido. Tivemos uma ajuda que eu nem imaginava. Ele mobilizou uma cidade inteira em quatro dias, então, acredito que veio para nos ensinar o amor, a solidariedade e a união – tentou resumir a mãe dilacerada pela dor.


Ela acrescentou que mesmo com a perda, foi extremamente feliz durante a curta gestação e que é grata mesmo que a passagem de Arthur tenha sido tão rápida.


Para as mães que tem Filhos com Hérnia Diafragmática Congênita- HDC, que acomete um fetos a cada 2.500 gestações e também outras doenças, Ana Paula pediu à todas que nunca desistam.

- Lutem até o fim como fizemos. O dinheiro não soluciona, a prova disso é que o conseguimos e não adiantou porque era a vontade de Deus, mas lutem – pediu.


Enquanto a esposa companheira de 14 anos, a maioria deles de muitas dificuldades financeiras falava, Rubilar segurava na mão dela como que pedindo forças para abordar o assunto. Soluçando, com um choro contínuo e emocionante, disse:


- Me desculpem, mas meu sentimento é de fracasso. Fui pai por muito pouco tempo e tive, pela lei da vida que carregar meu filho até o túmulo. Ele foi planejado, amado e agora o que ficou foi uma dor inexplicável de uma ferida que vai sangrar enquanto eu estiver vivo – falou Rubilar que num esforço sobre-humano respirou fundo e ampliou:


- Pai, por um filho, passa fome, passa frio, dá a vida, como está fazendo o Murrão, pai de Maria Flor. Pai é uma palavra que eu nunca vou ouvir, não vou poder proteger e sentir a alegria de ser chamado assim diariamente. Nossa lembrança será sempre de ter estado poucas horas com um ser tão desejado –


Quanto ao ato de devolver o dinheiro, disse que ele e a mulher são seres humanos que acompanham a luta das outras mães e suas crianças, e que quando ele era garoto foi, o que toda criança deveria ser, ensinado a ser solidário e amar ao próximo nesse mundo onde algumas vezes o que faz a “diferença é quem tem ou não tem dinheiro.


- Temos que ajudar, unir as pessoas através do amor, da fraternidade, do carinho e da solidariedade, assim entendo que não estamos fazendo mais do que nossa obrigação ao devolver o dinheiro para que outros sejam ajudados.


A soma de 10 mil reais foi dividida entre a família de Maria Flor que continua lutando pela vida no Hospital São Francisco em pelotas, e a da pelotense Marciana Balhego, 41 anos, que está com 24 semanas de gestação de Helena e o feto tem a mesma doença de Arthur, HDC.


Marciana também tem que ir para São Paulo para que o bebê receba o balão salvador e sua campanha só arrecadou R$ 1.100,00, o que é quase nada diante do gasto que vem a seguir e da possibilidade de ter que ficar até um ano na capital paulista com o bebê na UTI.

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