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MP aponta mais de 200 casos de estelionato na gestão de Piffero no Inter

6/11/2019

 

A primeira fase da Operação Rebote, deflagrada para investigar supostas irregularidades na gestão de Vitorio Piffero à frente do Inter, foi concluída nesta quarta-feira com o detalhamento do Ministério Público (MP) sobre os denunciados pelos crimes. Piffero foi definido pelos procuradores como um presidente atuante e que teria papel decisivo na série de ilegalidades cometidas durante a sua administração. O ex-mandatário do clube foi denunciado pelos crimes de estelionato e organização criminosa. O MP também teria encontrado crimes de lavagem de dinheiro, com a dissimulação de recursos para que voltassem para alguns ex-dirigentes. A ideia seria mascarar o caminho do dinheiro. 

 

Os investigadores do Ministério Público reiteraram que as investigações seguirão e terão novos desdobramentos. Hoje, foram apresentados alguns dados referentes ao núcleo de futebol da chamada "organização criminosa". Delitos relacionados às áreas de administração e jurídica serão posteriormente explanados pelo órgão com a continuidade das apurações. 

 

Em agosto de 2017, o Correio do Povo publicou uma matéria sobre inconsistências encontradas em obras no Inter. A partir da auditoria feita, o Ministério Público desencadeou a investigação que, mais tarde, culminou na operação Rebote. 

 

Segundo informações do MP na entrevista coletiva desta quarta, o dano patrimonial ao Inter foi estabelecido até o momento em pelo menos R$ 13 milhões. Na parte de futebol, seria em torno de R$ 150 mil, montante que seria oriundo de crimes de estelionato. O promotor de Justiça Flávio Duarte relatou que, em dado momento, o clube acabava contratando atletas não mais por critério técnico, mas de acordo com a relação com empresários. 

 

Duarte explicou ainda que o grupo de dirigentes teria feito irregularidades para justificar o pagamento de um pai de santo. "Foi alegado um valor destinado a um pai de santo. Não há notas para este tipo de serviço, mas o que fizeram foi a simulação de uma despesa relacionada a obras para justificar a quitação destes recursos", contou o promotor do Ministério Público. 

 

Indução ao erro 

Além de Vitorio Piffero, foram denunciados pelo Ministério Público Pedro Affatato, Emídio Marques Ferreira e Carlos Eduardo Marques, todos na condição de dirigentes do Inter. Conforme o MP, o grupo teria obtido para si os R$ 13 milhões, causando prejuízo ao clube. O valor teria sido adquirido depois que funcionários da administração do clube foram induzidos a erro, atestando obras que não ocorreram. Os integrantes do MP relataram que os dirigentes teriam usado artifícios administrativos e contábeis, entre eles a apresentação de notas fiscais e documentos fraudulentos.     

 

A denúncia do MP aponta que as fraudes teriam ocorrido em dois momentos, entre 2015 e 2016. O então vice de finanças, Pedro Affatato, com a suposta autorização de Piffero, teria realizado 145 saques diretamente da tesouraria do clube no valor total de R$ 9,6 milhões. A alegação usada à época seria de que os valores seriam usados para o pagamento de obras e prestações de serviços relacionadas à vice-presidência de Patrimônio, administrada por Emídio Marques Ferreira. 

 

Em outro momento, de acordo com o MP, Affatato e os outros denunciados teriam inserido informações e dados falsos em notas fiscais emitidas por empresas das quais seriam responsáveis. Nos documentos, ele teriam descrito serviços relacionados à construção civil que não ocorreram. Segundo o MP, algumas dessas companhias não teriam nem condições de prestar os trabalhos orçados. Apesar disso, as obras teriam sido efetivadas pela vice-presidência de Patrimônio. Mais tarde, as notas fraudadas teriam sido apresentadas na prestação de contas e a tesouraria do Inter, induzida ao erro, validou os valores sacados. 

 

Comissões 
A denúncia do Ministério Público aponta que o então vice de futebol Carlos Pellegrini teria obtido mais de R$ 230 mil em comissões para efetivar a contratação de cinco atletas que figuraram no plantel do Inter entre 2015 e 2016. A investigação encontrou o crime de lavagem de dinheiro, que teria passado por triangulações financeiras semelhantes àquelas praticadas pelo núcleo financeiro e patrimonial. As negociações teriam a participação dos empresários Rogério Braun e Giuliano Bertolucci. 

 

O outro lado 
O advogado Andrei Zenkner Schmidt, que representa Pedro Affatato, afirmou que ainda não tem conhecimento sobre o conteúdo da denúncia. “Não acessamos ainda a denúncia e, mesmo depois, só iremos nos pronunciar nos autos”, disse à reportagem. 

 

O escritório do advogado Roberto Podval, responsável por representar Giuliano Bertolucci, foi procurado e deverá emitir uma nota oficial sobre o assunto. Já o escritório do advogado Aury Lopes Júnior, que defende Rogério Braun, afirmou que ainda não tem posição sobre a denúncia feita pelo Ministério Público. 

 

A reportagem entrou em contato com o escritório que representa o ex-presidente Vitorio Piffero, mas não obteve retorno. Também buscou a palavra de Emídio Marques Ferreira e Carlos Pellegrini, mas não foi atendida. O espaço está aberto para manifestações dos citados. 

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